segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Para que serve a Matemática?


Muitos alunos questionam frequentemente os professores de Matemática sobre a utilidade desta disciplina na vida real.
Apresentamos aqui uma resposta à pergunta, retirada de uma página brasileira: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080216092838AA3k52S


“… Claro que quem já leu O Homem que Calculava, lembra-se que Beremís surpreendia sempre seu amigo encontrando a Matemática em tudo, desde a corda com que crianças brincavam até o turbante que lhe foi oferecido.

Na verdade, ele estava correto. Para onde quer que olhemos, encontramos curvas matemáticas, formas geométricas prodigiosas. Basta lembrar, por exemplo, a interessante questão da harmonia visual e do número de ouro.

Mas não quero seguir por essa direção. Prefiro tratar a questão do ponto de vista mais prático. Pode-se dizer que a Matemática está presente no nosso dia-a-dia de seis formas: contar, medir, localizar, conceber/construir, explicar e jogar.

Logo pela manhã, quando toca o despertador, começamos a utilizar a Matemática. Se o relógio for digital, lemos as horas, isto é, interpretamos aqueles números do mostrador como representando uma quantidade de tempo transcorrida desde a meia-noite. Se for analógico, avaliamos essa mesma quantidade através da posição relativa dos ponteiros, isto é, avaliamos ângulos desde o ponto de referência e convertemos esses ângulos na tal quantidade de tempo. Na prática, a quantidade que nos interessa é quanto estamos atrasados e avaliamos quanto temos que correr para estar numa certa hora num certo local, seja na escola ou no trabalho. Durante o dia, repetiremos este processo inúmeras vezes para não perdermos nossos compromissos. E faremos essas avaliações de forma tão automática que não nos daremos conta da complexidade matemática envolvida.

Assim que abrimos os olhos pela manhã, a primeira coisa que fazemos é nos localizar no ambiente, nossa distância com relação à parede, à porta, ao chão, etc. Sem essa localização, é impossível estabelecer um percurso que nos leve da cama ao banheiro. Durante o dia, faremos inúmeras localizações deste tipo, de forma tão automática que poderemos estar lendo uma revista enquanto andamos pela rua e não só evitaremos obstáculos e outras pessoas como nos orientaremos para saber quando deveremos dobrar à direita ou esquerda para chegar aonde desejamos. No carro, poderemos estar conversando com alguém no banco ao lado, enquanto seguiremos pelo percurso desejado, mantendo a devida distância dos carros vizinhos. Teremos ainda de nos localizar temporalmente, construir e seguir agendas e cronogramas. Todas essas localizações, ainda que espontâneas e sem a complexidade envolvida na confecção de mapas, envolvem referenciais baseados na Matemática.

No banheiro, para escovarmos os dentes, avaliamos a quantidade adequada de pasta de dentes sobre a escova. É uma avaliação de volume que, novamente, fazemos inconscientemente. É famosa a história da fábrica que aumentou seus lucros simplesmente aumentando o diâmetro do furo do tubo de pasta - muitos consumidores foram levados a consumir mais pasta simplesmente porque estavam acostumados a avaliar o volume simplesmente pelo comprimento do cilindro de pasta colocado sobre a escova. Durante o dia, faremos inúmeras avaliações visuais de volumes os mais variados: o cone do açúcar na colher do café, o elipsóide do xampu na palma da mão, etc. Isso, sem falar nas avaliações de distância, de peso, de temperatura, de velocidade, de força, etc. que faremos simplesmente para conseguirmos nos mover e utilizar objetos durante todo o dia.

Para apanhar o ônibus ou o táxi, pagar o pedágio ou a gasolina, temos que calcular preços, contar moedas ou cédulas de dinheiro. Durante o dia, contaremos inúmeras coisas, desde as páginas daquele relatório que temos que ler, os alunos presentes na sala, as laranjas que levaremos para casa, os dias que faltam para o fim do mês, etc. Aqui nem preciso enfatizar como a Matemática está presente.

Durante o dia, aparecerão inúmeros desafios, menores ou maiores, para os quais teremos de criar projetos e estratégias e trocar informação com colegas, desde a escolha da alternativa para a avenida congestionada à proposta de aumento de verba para o projeto, passando pelas férias do verão, pela pescaria do domingo e pelo pedido de aumento ao chefe ou ao pai. Para isso, usaremos esboços, esquemas, desenhos, diagramas e gráficos, todos com base matemática.

Depois de tudo, nada como um joguinho para relaxar. Mas a Matemática não nos abandona! Não há jogo que não tenha base matemática, seja na contagem de pontos, na geometria do tabuleiro, na estratégia de vitória ou na programação do computador ou do game.

Só pelo fato de realizarmos todas essas atividades sem pensar em Matemática, não quer dizer que ela não esteja presente a cada instante. A Matemática foi criada espontaneamente pelo Homem para auxiliá-lo nas suas tarefas diárias mais banais. Povos dos mais primitivos têm sua própria Matemática desenvolvida em algum grau. Um ramo muito interessante da Matemática é a Etnomatemática que justamente estuda e compara essas matemáticas espontâneas, como surgem e como são utilizadas no dia-a-dia dessas culturas.

Não é porque ela tenha sido formalizada, estruturada e axiomatizada pelos Matemáticos que ela abandonou o dia-a-dia humano. Sucede que a Matemática que nos é ensinada na escola é freqüentemente muito abstrata para que vejamos qualquer ligação com nosso quotidiano. Seymour Papert, o criador da linguagem LOGO, dizia: “O tipo de matemática impingido às crianças na escola não é significativa, divertida e nem mesmo muito útil.” Muitas vezes o professor não consegue torná-la significativa para seu aluno.

Para que serve a Matemática? Lacroix, o precoce geômetra francês, responderia que os mais preciosos frutos do aprendizado de Matemática são “o gosto pela exatidão, a impossibilidade de se contentar a si próprio com vagas noções ou de tomar por base meras hipóteses, a necessidade da percepção clara da ligação entre certas proposições e o objetivo em vista”, habilidades extremamente úteis em qualquer campo de atividade.”
Fonte(s):
http://www.reniza.com/matematica/novidad…

Sem comentários: